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Carteiras de criptomoedas: quente ou fria, em português, e como tirar da corretora

Diferença entre carteira quente e fria, quais apps têm português, a frase de 12 ou 24 palavras, e como sacar da corretora com as regras do BC e da UE.

Nesta página
  1. O que é uma carteira de criptomoedas?
  2. Qual é a diferença entre carteira quente e carteira fria?
  3. Quais carteiras funcionam em português?
  4. O que é a frase de recuperação e como guardá-la?
  5. E se eu perder o celular ou a carteira física?
  6. Como tirar criptomoedas da corretora para a sua carteira?
  7. A corretora pode pedir informações quando saco para uma carteira própria?
  8. Quanto custa sacar para uma carteira?
  9. Carteira física: Ledger ou Trezor?
  10. Que golpes atingem quem usa carteira própria?
  11. Carteira própria muda alguma coisa no imposto?
  12. Qual carteira escolher para começar?
  13. Perguntas frequentes
  14. Registro de fontes

Uma carteira de criptomoedas não guarda moedas: guarda as chaves que permitem movimentá-las na blockchain. Por isso a pergunta certa não é “qual app é melhor”, mas “quem controla as chaves”. Aqui você vê a diferença entre carteiras quentes e frias, quais funcionam em português, como guardar a frase de recuperação e como tirar cripto da corretora sem perder dinheiro, com as regras de 2026 no Brasil e na União Europeia.

O que é uma carteira de criptomoedas?

É um programa ou aparelho que gera e guarda a chave privada usada para assinar transações. As moedas ficam registradas na blockchain, associadas a endereços; quem tem a chave privada pode gastá-las. Na carteira de custódia, a chave fica com uma empresa, como uma corretora. Na carteira de autocustódia, a chave fica só com você, e ninguém pode congelar ou recuperar os fundos.

A Resolução BCB 521 define carteira autocustodiada como aquela “cujo proprietário detém o controle da respectiva chave privada, sendo capaz de movimentá-la sem necessidade de participação de prestadora de serviços de ativos virtuais”. É essa definição que separa a sua carteira da conta numa corretora.

Qual é a diferença entre carteira quente e carteira fria?

Carteira quente é a que guarda a chave num aparelho ligado à internet, como um app no celular ou uma extensão no navegador: prática para uso diário, mais exposta a malware e phishing. Carteira fria guarda a chave fora da internet, normalmente num aparelho físico como Ledger ou Trezor, que assina as transações sem expor a chave ao computador. Para valores altos e de longo prazo, a fria é mais segura.

Tipo Exemplos Quem tem a chave Bom para Principal risco
Custódia (corretora) Conta no Mercado Bitcoin, Foxbit, Kraken A empresa Negociar, valores pequenos Ataque, falência ou suspensão de saques
Quente, no celular Apps de autocustódia como MetaMask ou Ledger Live sem aparelho Você, no celular Uso diário, valores moderados Malware, phishing, perda do celular sem backup
Quente, no computador Electrum, extensão MetaMask Você, no computador Uso frequente, DeFi Extensões falsas, sites clonados
Fria (física) Ledger, Trezor Você, num aparelho dedicado Poupança de longo prazo Perda da frase de recuperação, compra de aparelho adulterado

Quais carteiras funcionam em português?

Várias das carteiras mais usadas têm interface em português. O código-fonte do Ledger Live, o aplicativo das carteiras Ledger, inclui traduções em português do Brasil (pt-BR) na versão para computador e na versão móvel. A extensão MetaMask tem traduções separadas para português do Brasil (pt_BR) e de Portugal (pt_PT). Verifique sempre o idioma nas definições do app depois de instalar.

  • Ledger Live: pt-BR no desktop e no celular, segundo os arquivos de tradução do repositório oficial.
  • MetaMask: pt, pt_BR e pt_PT entre as traduções da extensão.
  • Trezor Suite: não confirmamos a lista de idiomas nesta revisão; confira nas definições do Suite.

Idioma da interface é diferente de idioma da frase de recuperação. O padrão BIP39, usado pela maioria das carteiras, tem uma lista oficial de 2.048 palavras em português, criada excluindo palavras com grafia diferente no Brasil e em Portugal. Mesmo assim, quase todas as carteiras geram a frase em inglês, e uma frase em português pode não ser aceita noutra carteira. Na dúvida, use o inglês.

O que é a frase de recuperação e como guardá-la?

A frase de recuperação, ou seed, é uma sequência de 12 a 24 palavras que gera todas as chaves da carteira. O padrão BIP39 prevê frases de 12, 15, 18, 21 ou 24 palavras. Quem tiver essa frase controla os fundos, em qualquer aparelho. Por isso ela é escrita em papel ou metal, guardada offline e nunca fotografada, digitada num site ou enviada a ninguém.

  • Escreva a frase à mão, na ordem certa, e confira duas vezes.
  • Guarde uma cópia num lugar seguro e, se o valor justificar, uma segunda cópia noutro local.
  • Não guarde em nuvem, e-mail, bloco de notas do celular ou foto.
  • Nenhum suporte legítimo, de corretora ou de fabricante, pede a frase. Quem pede está tentando roubar.

Mais técnicas, como placas de metal e frase adicional (passphrase), em how to store a seed phrase.

E se eu perder o celular ou a carteira física?

Se você tem a frase de recuperação, não perde as moedas. Basta instalar a mesma carteira, ou outra compatível com o padrão BIP39, num aparelho novo e escolher “restaurar” com as 12 ou 24 palavras: as chaves e os endereços são recriados a partir da frase. Sem a frase, e sem outra cópia de segurança, os fundos ficam inacessíveis para sempre.

Três cuidados ajudam na hora da recuperação:

  • Anote também a carteira usada e, se tiver, a frase adicional (passphrase): a mesma frase com outra passphrase abre outra carteira.
  • Teste a recuperação com um valor pequeno logo no início, restaurando a frase noutro aparelho, para ter certeza de que a anotação está certa.
  • Pense na família. Deixe instruções sobre onde está a frase e como usá-la, sem escrever a própria frase num testamento ou documento que outras pessoas leem.

Uma carteira física perdida ou roubada não expõe as moedas de imediato, porque o aparelho é protegido por PIN e apaga-se após várias tentativas erradas. Mesmo assim, transfira os fundos para uma carteira nova, com frase nova, assim que restaurar.

Como tirar criptomoedas da corretora para a sua carteira?

Abra a carteira e copie o endereço de recebimento da moeda certa, na rede certa. Na corretora, escolha sacar, cole o endereço, selecione a mesma rede e envie primeiro um valor pequeno de teste. Quando o teste aparecer na carteira, envie o restante. Confira sempre o início e o fim do endereço: há malware que troca o endereço copiado por outro.

  1. Escolha a rede. Bitcoin vai pela rede Bitcoin. Stablecoins como USDT existem em várias redes (Ethereum, Tron, Solana e outras); a carteira de destino precisa suportar a mesma.
  2. Copie o endereço da carteira, nunca de uma mensagem ou de um histórico antigo.
  3. Envie um teste e espere a confirmação.
  4. Envie o restante e guarde o identificador da transação (hash) para o seu registro e para o imposto.

Enviar para a rede errada pode significar perda definitiva. O guia detalhado, em inglês, está em how to move crypto from an exchange to a wallet.

A corretora pode pedir informações quando saco para uma carteira própria?

Sim, e é normal. No Brasil, a Resolução BCB 521 incluiu no mercado de câmbio a transferência de ativo virtual de ou para carteira autocustodiada, por isso a corretora aplica regras de identificação a esses envios desde 2 de fevereiro de 2026. Na União Europeia, a regra de viagem exige que o prestador avalie se a carteira é do próprio cliente em transferências acima de 1.000 euros.

Na prática, você pode ter de declarar que o endereço é seu, indicar o nome da carteira ou provar o controle do endereço, por exemplo assinando uma mensagem. Responder com dados verdadeiros evita bloqueios. Desconfie apenas se o pedido chegar fora da plataforma, por mensagem ou e-mail com link.

Quanto custa sacar para uma carteira?

Paga-se a taxa de saque da corretora, que acompanha o custo da rede e varia com o congestionamento. A Binance diz que as taxas de saque são definidas pela rede e podem mudar sem aviso; a Foxbit, que a taxa “é baseada na rede blockchain”. Na rede Bitcoin, em 7 de novembro de 2026 a mempool.space recomendava 1 a 2 sat/vB, um nível baixo.

Como a taxa é por transação e não por valor, juntar saques reduz o custo. Compare a taxa de cada corretora na tela de saque e veja o comparativo em taxas das corretoras.

Carteira física: Ledger ou Trezor?

As duas marcas dominam o mercado de carteiras frias e vendem online com preço em reais. Em novembro de 2026, a loja oficial da Ledger mostrava o Nano S Plus por R$ 287 e o Nano X por R$ 580; a da Trezor listava o Safe 3 por R$ 349 e o Safe 5 por R$ 769. Na página de comparação da Trezor, os modelos Safe 3, Safe 5 e Safe 7 aparecem como de código aberto e com elemento seguro certificado EAL6+.

Compre sempre na loja oficial ou num revendedor autorizado listado pelo fabricante, e desconfie de aparelhos usados ou com frase de recuperação já escrita na caixa. A comparação completa, com preços, está em Ledger ou Trezor.

Que golpes atingem quem usa carteira própria?

Os golpes mais comuns são falsos sites e apps da carteira, mensagens de “suporte” que pedem a frase de recuperação, e-mails avisando de um “problema de segurança” com link e, depois de vazamentos, cartas ou ligações em nome do fabricante. Em dezembro de 2020 a Ledger confirmou que uma base com cerca de 272.000 endereços postais e telefones de clientes foi publicada.

A própria Ledger informou que o vazamento envolvia dados de comércio eletrônico e não afetava as carteiras nem os fundos, mas os dados passaram a ser usados em phishing. A regra que protege em todos os casos é simples: a frase de recuperação só é digitada no próprio aparelho, nunca num site, app ou formulário.

Carteira própria muda alguma coisa no imposto?

Não muda o imposto, muda o registro. No Imposto de Renda, criptoativos em carteira própria são declarados na ficha Bens e Direitos, Grupo 08, com a indicação “custódia própria” no campo Discriminação. Quem faz operações sem passar por corretora brasileira, como enviar de carteira para carteira, também pode ter de informar a Receita pela DeCripto, quando o total do mês passar de R$ 35.000.

Em Portugal, mover criptoativos entre carteiras suas não é uma alienação e não paga imposto, mas guarde o histórico: ele prova a data de compra para a regra dos 365 dias. Veja imposto sobre criptomoedas.

Qual carteira escolher para começar?

Para começar com valores pequenos, a conta numa corretora da relação do Banco Central ou do registo MiCA é suficiente. Quando o valor crescer, instale uma carteira de autocustódia conhecida, aprenda a fazer backup e um envio de teste. Para poupança de longo prazo, uma carteira física comprada na loja oficial é o passo seguinte. Não há pressa: aprender com pouco dinheiro é mais barato.

Guias relacionados: é seguro deixar cripto na corretora?, como comprar bitcoin e USDT ou USDC. Mais em CoinChoose em português.

Criptoativos são voláteis e esta página não é aconselhamento financeiro.

Perguntas frequentes

Qual é a carteira de criptomoedas mais segura?

Para valores altos e de longo prazo, uma carteira física (fria) comprada na loja oficial, como Ledger ou Trezor, com a frase de recuperação guardada offline. Nenhuma carteira é segura se a frase for compartilhada ou digitada num site.

Carteira de corretora é a mesma coisa que carteira própria?

Não. Na corretora, a empresa controla as chaves e pode suspender saques. Na carteira própria, só você controla as chaves, e ninguém pode recuperar os fundos se perder a frase de recuperação.

O Ledger Live tem português?

Sim. O repositório oficial do Ledger Live inclui traduções em português do Brasil (pt-BR) nas versões para computador e celular.

Posso usar uma frase de recuperação em português?

O padrão BIP39 tem uma lista oficial de 2.048 palavras em português, mas a maioria das carteiras gera e aceita frases em inglês. Usar o português pode impedir a recuperação noutra carteira; o inglês é a opção mais compatível.

Por que a corretora pede dados quando saco para a minha carteira?

No Brasil, a Resolução BCB 521 trata transferências para carteira autocustodiada como operação de câmbio desde fevereiro de 2026. Na UE, a regra de viagem exige verificar a titularidade da carteira acima de 1.000 euros.

Registro de fontes

  1. 01Banco Central do Brasil: Resolução BCB nº 521/2025bcb.gov.br
  2. 02GitHub, LedgerHQ: ledger-live, traduções do desktopgithub.com
  3. 03GitHub, LedgerHQ: ledger-live, traduções do app móvelgithub.com
  4. 04GitHub, MetaMask: metamask-extension, _localesgithub.com
  5. 05GitHub, bitcoin/bips: BIP39github.com
  6. 06GitHub, bitcoin/bips: BIP39 wordlists (português)github.com
  7. 07Ledger: Message from Ledger's CEO, data leakledger.com
  8. 08Ledger: Hardware wallets comparison (loja oficial)shop.ledger.com
  9. 09Trezor: Compare Trezor walletstrezor.io
  10. 10Trezor: Trezor Safe 3trezor.io
  11. 11Trezor: Trezor Safe 5trezor.io
  12. 12Binance: Taxas de depósito e saque de criptobinance.com
  13. 13Foxbit: Taxasfoxbit.com.br
  14. 14mempool.space: taxas recomendadas (API)mempool.space
  15. 15Receita Federal: RFB atualiza regulamentação de criptoativos (IN RFB nº 2.291/2025)gov.br

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